sábado, 11 de junho de 2016

62. Coffee shop

Coffee shop

difuso
em cafés e lanchonetes
observo confuso
o diverso
comum e poético
movimento transeunte
bebericando um pouco
da conversa alheia
alimento-me aos poucos
da teia
consumindo com apreço
as histórias vizinhas
em cardápio confesso
à revista fútil
com aroma de espresso

Alexandre Fritzen da Rocha
(Porto Alegre, 21 de janeiro de 2016)



 > Publicado em 27 de janeiro de 2016 

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

61. Impressões de concerto

pingos de suor
irrompem a performance
a música aquática
migra de Händel a Bach
na igreja escura
pingam em notas
ribeiro de som
Bach em gotas
transpirando tons
nas teclas
banco, pedal
ao prelúdio e fuga
tão longo e solto
tornou-se fonte
acalanto diurno
em Mi menor
o concerto
em calor catedral


Alexandre Fritzen da Rocha
(Porto Alegre, 18 de dezembro de 2015)

 > Publicado em 20 de janeiro de 2016

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

60. Acalanto em verso: alvorece novo tempo

resumo em bloco
ao verso, insumo
o novo ano brotado

divago ao estímulo
o profícuo jovem
em solilóquio prólogo

em esperança alva
venha, querido infante
invada as mentes

aniquile o anímico
rancor poente

Alexandre Fritzen da Rocha
(Nova Petrópolis, 9 de janeiro de 2016)

 > Publicado em 13 de janeiro de 2016

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

59. Os enfeites de Natal

balançam ao verde
em variada cor
vejo-me ao longo da árvore
em contraste, alvor
cada bolinha uma lembrança
um carinho ou som
espelhos que alcançam
e refletem meu eu criança
todo o dezembro
todo Natal
ao brilho das luzes
do pinheiro
e dos olhares

Alexandre Fritzen da Rocha
(Porto Alegre, 20 de dezembro de 2015)

 > Publicado em 23 de dezembro de 2015

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

58. Inquilina

ela me adotou
não me abandona mais
às vezes foge por uns tempos
noutros retorna sorridente

talvez não goste do calor
diminui o seu tamanho
em tempo quente
mas retorna soberba no inverno
imponente, persistente

apesar de meus xingões
ignora-me
não gosta de corridas
tampouco natações

insiste à minha gula
aos doces e refeições
por estes tempos fica à mostra
bem sacana
se exibe nos verões

a matreira barriga
aposenta camisas e calções

Alexandre Fritzen da Rocha
(Porto Alegre, 10 de dezembro de 2015)


 > Publicado em 16 de dezembro de 2015

quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

57. Insights em turbulentos entornos VII

Adoece São Paulo
na ironia ou assombro
em cara infante
à bomba que explode

Apodrece São Paulo
aos pés confusos
do estudante raquítico
que implora advento
de educação democrática

Esmaece São Paulo
na iminência do golpe
no surto político
ardilosa tática
ao advento moroso
do império do caos

E a corruptela, tal qual lama, em querela se arrasta nas hipocrisias nacionalistas
em cada canto
lodo, sujeira, pó...

Alexandre Fritzen da Rocha
(Porto Alegre, 3 de dezembro de 2015)


 > Publicado em 9 de dezembro de 2015

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

56. # meuamigosecreto

derrama da boca
piada torta
não tem cor o arauto
tampouco classe social
o clangor José da Penha
em contumélia feia
grita feminismo falso

defende-se com “mas...”
em dejeto estratagema
critica o sutiã
a blusa curta
ou perna feia
o algoz habita discreto
íntimo seleto
de muito macho obreiro
ou fêmea matreira


toda ofensa à mulher
é como tapa no rosto
em humanidade inteira
na alma gêmea
mãe ou parteira
na própria cara
pois todo macho foi um dia
em útero, fêmea



Alexandre Fritzen da Rocha
(Novo Hamburgo, 28 de novembro de 2015)

 > Publicado em 2 de dezembro de 2015

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

55. Insights em turbulentos entornos VI

soterra minha alma
vira lama
calda
amálgama
de minério
sujo pó

na garganta
o nó
enjoo
repúdio ao som
do algoz-arauto

brota o espúrio
em contumélia
discurso vil
da repulSa marco

Alexandre Fritzen da Rocha
(Porto Alegre, 13 de novembro de 2015)

 > Publicado em 25 de novembro de 2015


segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

54. Poema Simples

simples poema
acena
nu
em tenra mão
o sulco da letra
palavra
pão
em mudo dilema


Alexandre Fritzen da Rocha
(São Leopoldo, 11 de novembro de 2015)

 > Publicado em 18 de novembro de 2015

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

53. Insights em turbulentos entornos V

se espalha
à navalha
em rede social
o palanque do louco
aos berros do rouco
milícia de conservadores
saem do armário
se espalham
tumores

o mau-caráter
no circo, picadeiro
machismo sustenta
demole o filho
o sistema
em vulgo tema
reino do ódio
em nome Deus
escória de casaca
em burro dilema
anti-ateneus

de terno império
profano fulano
em nome de santos
ao cheiro de pólvora
intolerante estratagema
proclama a morte com glória
destrói o poema

Alexandre Fritzen da Rocha
(Porto Alegre, 05 de novembro de 2015)

 > Publicado em 11 de novembro de 2015

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

52. Antenas

a ponta do teu cabelo
é planta
novelo de sonho
conceito
galho solto
que antena
capta na raiz
as ideias

Alexandre Fritzen da Rocha
(Porto Alegre, 30 de outubro de 2015)

 > Publicado em 4 de novembro de 2015

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

51. Verso solto

Uma poesia que se perde
é pena
Em verso de susto que herde
melena
Ao clangor atento e verde
acena

Alexandre Fritzen da Rocha
(Porto Alegre, 25 de outubro de 2015)

 > Publicado em 28 de outubro de 2015

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

50. Unsmarts

a caixinha hoje
é menor
outrora grande
fixa, indoor
agregava zumbis
ao seu redor


permanece normativa
doutrina, idealiza
mas perde aos poucos
seu império
preponderância cansativa


o teclar do jovem rival
habita as mãos
de seu rebanho
e o discurso vivo
se interrompe
como antes
em novato plim plim
aos jovens e velhos infantes



Alexandre Fritzen da Rocha
(Porto Alegre, 14 de outubro de 2015)

 > Publicado em 21 de outubro de 2015

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

49. Meio tempo

Meio aflito
não poupo tempo
ele passa como um raio
que quase não sinto
todavia eu vivo
sem pressa
os momentos simples
altivo

Meio cansado
aprecio tudo
o frescor da brisa
um aroma de café
o carinho de um beijo
ou cafuné

Meio ranzinza
reclamo dele
de sua indelicada ligeireza
todavia não perco
de viver as coisas
com clareza

Meio lúcido
logo penso
que não tenho tempo
para pensar
o tempo todo
que tempo não tenho

Alexandre Fritzen da Rocha
(Porto Alegre, 6 de junho de 2015)

 > Publicado em 14 de outubro de 2015

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

48. O ponto

se não encontrares
o espaço guardado
para o cultivo, legado
do amor próprio contido
não acharás o saudável
local adequado
a permitir o invólucro
o acalanto, chamado
do frenesi de um amor
livremente recebido


Alexandre Fritzen da Rocha
(Porto Alegre, 30 de setembro de 2015)

 > Publicado em 7 de outubro de 2015

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

47. Insights em turbulentos entornos IV

O covarde de cassetete
vende-se por 600 reais
espanca seu colega
em lúgubre tarde
austera

Acata o algoz de bigode
o traficante de votos
que tortura sua prole
insistente golpe
pudera

Alexandre Fritzen da Rocha
(Porto Alegre, 22 de setembro de 2015)

 > Publicado em 30 de setembro de 2015

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

46. A Noite

Brinca
Súbita e delicada
Invade a tarde

Crua
Nua e austera
Re-significa o dia

Divaga
Afaga a luz
Imana um manto

Esvazia
Emana o frio
Escurece a sombra

Formula
E cria o sonho
Inspirando a luz

Alexandre Fritzen da Rocha
(Porto Alegre, 24 de julho de 2013)


 > Publicado em 23 de setembro de 2015

domingo, 11 de outubro de 2015

45. Nulo manifesto

não acharás com facilidade
discursos lineares
hipocrisias tolas
ou bifes em jantares

um poeta com repulsa
do próprio verso
na economia avulsa
de um protesto
cala súbito
nulo manifesto

Alexandre Fritzen da Rocha
(Porto Alegre, 10 de setembro de 2015)

 > Publicado em 16 de setembro de 2015

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

44. Passos

Fincam no chão
ressoam no espaço
o preenchido vão
identidade exprime
em distinto som
diverso calçado
desenha no solo
longo, leve
curto, pesado
cadenciado tom

Alexandre Fritzen da Rocha
(São Leopoldo, 18 de agosto de 2015)

 > Publicado em 9 de setembro de 2015

terça-feira, 6 de outubro de 2015

43. Riso da noite

a lua está sorrindo
com uma pinta
em cima da boca
ela mostra os dentes
e beija o mar
um filete alegre
no canto do céu

Alexandre Fritzen da Rocha
(Vitória, 19 de agosto de 2015)

 > Publicado em 2 de setembro de 2015