segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

54. Poema Simples

simples poema
acena
nu
em tenra mão
o sulco da letra
palavra
pão
em mudo dilema


Alexandre Fritzen da Rocha
(São Leopoldo, 11 de novembro de 2015)

 > Publicado em 18 de novembro de 2015

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

53. Insights em turbulentos entornos V

se espalha
à navalha
em rede social
o palanque do louco
aos berros do rouco
milícia de conservadores
saem do armário
se espalham
tumores

o mau-caráter
no circo, picadeiro
machismo sustenta
demole o filho
o sistema
em vulgo tema
reino do ódio
em nome Deus
escória de casaca
em burro dilema
anti-ateneus

de terno império
profano fulano
em nome de santos
ao cheiro de pólvora
intolerante estratagema
proclama a morte com glória
destrói o poema

Alexandre Fritzen da Rocha
(Porto Alegre, 05 de novembro de 2015)

 > Publicado em 11 de novembro de 2015

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

52. Antenas

a ponta do teu cabelo
é planta
novelo de sonho
conceito
galho solto
que antena
capta na raiz
as ideias

Alexandre Fritzen da Rocha
(Porto Alegre, 30 de outubro de 2015)

 > Publicado em 4 de novembro de 2015

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

51. Verso solto

Uma poesia que se perde
é pena
Em verso de susto que herde
melena
Ao clangor atento e verde
acena

Alexandre Fritzen da Rocha
(Porto Alegre, 25 de outubro de 2015)

 > Publicado em 28 de outubro de 2015

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

50. Unsmarts

a caixinha hoje
é menor
outrora grande
fixa, indoor
agregava zumbis
ao seu redor


permanece normativa
doutrina, idealiza
mas perde aos poucos
seu império
preponderância cansativa


o teclar do jovem rival
habita as mãos
de seu rebanho
e o discurso vivo
se interrompe
como antes
em novato plim plim
aos jovens e velhos infantes



Alexandre Fritzen da Rocha
(Porto Alegre, 14 de outubro de 2015)

 > Publicado em 21 de outubro de 2015

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

49. Meio tempo

Meio aflito
não poupo tempo
ele passa como um raio
que quase não sinto
todavia eu vivo
sem pressa
os momentos simples
altivo

Meio cansado
aprecio tudo
o frescor da brisa
um aroma de café
o carinho de um beijo
ou cafuné

Meio ranzinza
reclamo dele
de sua indelicada ligeireza
todavia não perco
de viver as coisas
com clareza

Meio lúcido
logo penso
que não tenho tempo
para pensar
o tempo todo
que tempo não tenho

Alexandre Fritzen da Rocha
(Porto Alegre, 6 de junho de 2015)

 > Publicado em 14 de outubro de 2015

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

48. O ponto

se não encontrares
o espaço guardado
para o cultivo, legado
do amor próprio contido
não acharás o saudável
local adequado
a permitir o invólucro
o acalanto, chamado
do frenesi de um amor
livremente recebido


Alexandre Fritzen da Rocha
(Porto Alegre, 30 de setembro de 2015)

 > Publicado em 7 de outubro de 2015

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

47. Insights em turbulentos entornos IV

O covarde de cassetete
vende-se por 600 reais
espanca seu colega
em lúgubre tarde
austera

Acata o algoz de bigode
o traficante de votos
que tortura sua prole
insistente golpe
pudera

Alexandre Fritzen da Rocha
(Porto Alegre, 22 de setembro de 2015)

 > Publicado em 30 de setembro de 2015

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

46. A Noite

Brinca
Súbita e delicada
Invade a tarde

Crua
Nua e austera
Re-significa o dia

Divaga
Afaga a luz
Imana um manto

Esvazia
Emana o frio
Escurece a sombra

Formula
E cria o sonho
Inspirando a luz

Alexandre Fritzen da Rocha
(Porto Alegre, 24 de julho de 2013)


 > Publicado em 23 de setembro de 2015

domingo, 11 de outubro de 2015

45. Nulo manifesto

não acharás com facilidade
discursos lineares
hipocrisias tolas
ou bifes em jantares

um poeta com repulsa
do próprio verso
na economia avulsa
de um protesto
cala súbito
nulo manifesto

Alexandre Fritzen da Rocha
(Porto Alegre, 10 de setembro de 2015)

 > Publicado em 16 de setembro de 2015

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

44. Passos

Fincam no chão
ressoam no espaço
o preenchido vão
identidade exprime
em distinto som
diverso calçado
desenha no solo
longo, leve
curto, pesado
cadenciado tom

Alexandre Fritzen da Rocha
(São Leopoldo, 18 de agosto de 2015)

 > Publicado em 9 de setembro de 2015

terça-feira, 6 de outubro de 2015

43. Riso da noite

a lua está sorrindo
com uma pinta
em cima da boca
ela mostra os dentes
e beija o mar
um filete alegre
no canto do céu

Alexandre Fritzen da Rocha
(Vitória, 19 de agosto de 2015)

 > Publicado em 2 de setembro de 2015 

42. O silêncio do poeta

Quando a poesia some
Irrompe pavor
Consome

No silêncio inverso
Rompe favor
Em verso

Não peço tinta às penas
Recito alvor
Apenas

Alexandre Fritzen da Rocha
(Porto Alegre, 3 de agosto de 2015)

 > Publicado em 26 de agosto de 2015

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

41. Insights em turbulentos entornos III

As bandeiras balançam
Os gritos saltam do peito
Arauto solto

Nas panelas vazias
Bradam percussionistas de panela
Que pouco sabem

No barulho são roubados
Por discursos mal argumentados
Compram o festim de Ares

Pedem uma justiça
Que não praticam
Cegos de razão

Surdos por seus gritos
Caminham na marcha dos hipócritas
Os escravos da ignorância  

Alexandre Fritzen da Rocha
(Porto Alegre, 14 de agosto de 2015)

 > Publicado em 19 de agosto de 2015

terça-feira, 25 de agosto de 2015

40. Sorriso

paisagem turva
na estrada/rio
mergulhado à chuva
num incômodo granizo
um sorriso nasce
o filete de sol
torna o horizonte
plácida face

Alexandre Fritzen da Rocha
(Porto Alegre, 13 de julho de 2015)



 >> Publicado em 12 de agosto de 2015

terça-feira, 11 de agosto de 2015

39. Bonitas tolices em buquê

Meio vulneráveis
os amantes
anômalos
infantes
tão lindinhos
e cafonas
nos vemos neles

E apaixonados
que idiota somos
isentos de escombros
meio cegos
meio tontos
tão bonitos...
óin!...
à deriva do sentir

Alexandre Fritzen da Rocha
(Porto Alegre, 4 de novembro de 2014)



 >> Publicado em 5 de agosto de 2015

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

38. Insights em turbulentos entornos II

à porta
me fiz valente
à rua
me fiz rude
à ruga
me fiz dono
à fuga
me fiz usuário
à rusga
me fiz poema

Alexandre Fritzen da Rocha
(Porto Alegre, 26 de junho de 2015)



 >> Publicado em 29 de julho de 2015

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

37. Retorno

pingos de gente
escorrem na chuva
o molhado vivente
que transita na rua
em paisagem cinza
alegra-se pelo regresso
no término do dia
ao sorridente lar
emaranhado em poesia

Alexandre Fritzen da Rocha
(Porto Alegre, 15 de julho de 2015)



 >> Publicado em 22 de julho de 2015

quinta-feira, 30 de julho de 2015

36. O falso justiceiro

Avesso à Têmis
o hipócrita social
corrupto, imoral
conservador banal
veste-se de falso justiceiro
alimenta seu fetiche grosseiro
de matar à luz do dia

À revelia
da justiça
da humanidade
da civilidade
sua justificativa:
“justiça com as próprias mãos”
A desculpa para o cumprimento
de sua repulsiva
conduta assassina

Alexandre Fritzen da Rocha
(Porto Alegre, 10 de julho de 2015)



 >> Publicado em 15 de julho de 2015

sábado, 25 de julho de 2015

35. Insights em turbulentos entornos I

Num frouxo filete
de vento, ar
um sonho
ou intento
de ser brisa
aos poucos
e tornar-me liso
solto
avulso do bruto
e rude soco
inconveniente encosto
do portador indecente
de discursos de ódio

Alexandre Fritzen da Rocha
(Porto Alegre, 25 de junho de 2015)



 >> Publicado em 8 de julho de 2015

quarta-feira, 22 de julho de 2015

34. Manifesto ao intolerante

Ampara teu próximo
e cala tua boca
Guarda na tua mente,
inconveniente,
teu desaforo
Engole, empurra, mete
afunda em ti tua intolerância

Te humaniza,
primata fútil,
e enxerga com respeito
isento de ignorância
diverso à tua crença
a inevitável e necessária
diferença

Alexandre Fritzen da Rocha
(Porto Alegre, 25 de junho de 2015)



 >> Publicado em 1º de julho de 2015

sexta-feira, 17 de julho de 2015

33. Estado das coisas

o professor explica
o juiz elucida
o advogado argumenta
o psicólogo orienta
o sociólogo contextualiza
o padre suplica

mas apesar de tudo
num grito surdo
despe-se de razão
e rasga a constituição
o cidadão comum
com espada e escudo
atropela a lei e bom senso
a maioridade penal defende
sem argumento
que aguente
a discussão
dormente
dolente

Alexandre Fritzen da Rocha
(Nova Petrópolis, 12 de junho de 2015)


 >> Publicado em 24 de junho de 2015

quinta-feira, 16 de julho de 2015

32. Beijo

O beijo é prelúdio
Overture, acerto
Estrofe do pulso
Às vésperas do concerto

Ensaio de um conto
Que congela estômago
Alimenta o sopro
Âmago do verso, encontro

No suspiro, sussurro
Murmuro um ramo
Vira pétala a língua
Buquê, exclamo


Alexandre Fritzen da Rocha
(Nova Petrópolis, 12 de junho de 2015)


 >> Publicado em 17 de junho de 2015

terça-feira, 14 de julho de 2015

31. Despertar

sutil sopro
em cuidadoso suspiro
renasce delicada

há pouco afobada
num susto
quase sem pulso
à vida
meio atrevida
brincando de fuga
despedida

todavia, refloriu existência
sua face combalida
não esmaeceu abatida
inspirou em golfada
um longevo ar de vida

Alexandre Fritzen da Rocha
(Porto Alegre, 05 de junho de 2015)



 >> Publicado em 10 de junho de 2015

segunda-feira, 13 de julho de 2015

30. Observação à luminária

vaga luminar fonte
e tonta
sob meu aponte
solta afaga

tão modesta
és pomposa aos insetos
tomam-te como deusa
em culto kamikaze

indiferente aos outros
permanece a direcionar-me
torno-me Samsa
no ato de meu desarme

Alexandre Fritzen da Rocha
(Porto Alegre, 2 de dezembro de 2014)



 >> Publicado em 3 de junho de 2015

sexta-feira, 10 de julho de 2015

29. Luto...

pelos dias que passam
luto
não desabo o fôlego
luto pela educação
trôpego, apenas luto
pelo ensino defunto

também pró-cultura, luto
luto no verso
poiesis de civilidade
e não cesso, não passo
luto
contra o servo cego
servil, assombro
massa de manobra
luto

contra a comunicação mesquinha
tendenciosa, falaciosa
luto
na esperança jamais findada
por dias melhores, por outro assunto

e no atual momento
na inanição da humanidade
a ausência da fraternidade
o presídio da liberdade
funesto, condoído
doloroso
luto

Alexandre Fritzen da Rocha
(Porto Alegre, 21 de maio de 2015)



 >> Publicado em 27 de maio de 2015

quarta-feira, 8 de julho de 2015

28. Poesia em momento de viagem

transito
sufoco o foco
troco
na pluralidade das idas
imerso
em híbrido impulso
ejeto o curso
o rito
pulso
na busca transitória
atitude
dos aromas
em caminho
plural
avulso
cotidiano
inquietude
na estrada
dos dias
em poema asfáltico


Alexandre Fritzen da Rocha
(Canoas, 8 de maio de 2015)


 >> Publicado em 20 de maio de 2015

terça-feira, 7 de julho de 2015

27. Verso à vida – V

germina vida
nasce
broto, ovo, grão
ponto de princípio
cerne
vão

célula, átomo
germe
pão
na origem
fato
nascente
embrião

Alexandre Fritzen da Rocha
(Nova Petrópolis, 19 de janeiro de 2015)



 >> Publicado em 13 de maio de 2015

segunda-feira, 6 de julho de 2015

26. Formação continuada

O mestre combalido
Por rixa
Leva bala
Soco, pedra
Em avessa proteção
Onde polícia ouve Richa
Educa em cassetete
E agride a educação

Alexandre Fritzen da Rocha
(Nova Petrópolis, 14 de fevereiro de 2015)



 >> Publicado em 6 de maio de 2015

quinta-feira, 2 de julho de 2015

25. Verso à vida – IV

o amor faz parte
dos capítulos longos
e momentos mongos
que criam nosso encarte

verso à vida em teste
num soneto desfigurado
vestido doido e remendado
contemporânea veste

dessa vida
de ódio louca
ferida

que grita rouca
partida
tristeza pouca...

Alexandre Fritzen da Rocha
(Nova Petrópolis, 19 de janeiro de 2015)



 >> Publicado em 29 de abril de 2015

quarta-feira, 1 de julho de 2015

24. Verso à vida – III

tua antítese
a morte
é penumbra
assombro
corte

âmago do medo
à tumba
sobre o ombro
mímese

à fuga dela
cruel da foice
protela, esmaece, cancela
dá um coice
na dor do fim

simples muda
desenruga em mim
a certeza, assim
olvidando o receio
o lúgubre recheio
Vida, acuda!


Alexandre Fritzen da Rocha
(Nova Petrópolis, 18 de janeiro de 2015)


 >> Publicado em 22 de abril de 2015

terça-feira, 30 de junho de 2015

23. Verso à vida – II

reformula teu grito
tua angústia ouvida
cala, fadiga
na labuta
mendiga
torna tristeza mito
sem vida

teu sorriso recruta
e solta a louca
divinal gargalhada rouca
no gozo da resiliência

conserva teu foco
com astúcia e paciência
teu jogo “in loco”
fugir da demência


Alexandre Fritzen da Rocha
(Porto Alegre, 15 de janeiro de 2015)


 >> Publicado em 15 de abril de 2015

sexta-feira, 26 de junho de 2015

22. Verso à vida – I

à imensidão de tudo
mergulho fundo
na estrofe
manifesto
em sôfregos penhascos
precipícios de vida
ou plácidos planaltos
de uma lembrança
vivida, querida
respiro o momento
o constante intento
de verter
no verso
o pulso
meu alento

Alexandre Fritzen da Rocha
(Porto Alegre, 14 de janeiro de 2015)



 >> Publicado em 8 de abril de 2015

domingo, 21 de junho de 2015

21. Presente

fez-se pronto meu ensaio
meu esboço, poema
perdendo-me em palavras
brandas, emblema
de amada dama
doce, onírica
prendada face
ensolarado presente

Alexandre Fritzen da Rocha
(Porto Alegre, 27 de março de 2015)



 >> Publicado em 1º de abril de 2015.

quarta-feira, 17 de junho de 2015

20. Réquiem de um bugio

Ronca o bugio
O réquiem seu
Clangor fugidio
Funesto faleceu

Sua lamúria
Provém da luxúria
De um humano
Em ato insano

Espalha-se por sua casa
Adentra seu recinto
Demarca com afinco
Com foice e brasa

O primata falece
Quermesse reversa
Perversa mata

Alexandre Fritzen da Rocha
(Nova Petrópolis, 11 de dezembro de 2014)



 >> Publicado em 25 de março de 2015

terça-feira, 16 de junho de 2015

19. Convés

No convés
Me inspiro
No suspiro
Vento convém
Carrega corrente
De versos
Em ondas
Ao revés
Da maré

Alexandre Fritzen da Rocha
(Florianópolis, 21 de fevereiro de 2015)



 >> Publicado em 18 de março de 2015