sábado, 13 de junho de 2015

18. Dos pequenos prazeres

A obviedade não me agrada
não sou adepto
das belezas simples
das coisas fáceis

Imerso nas pluralidades
nas singularidades
dos pequenos gestos
mergulho no apaixonamento
dos micro detalhes

A rotina me espreme
me combale
me geme
e no cerne das diferenças
fico libando
os minúsculos prazeres

Alexandre Fritzen da Rocha
(São Leopoldo, 24 de novembro de 2014)



 >> Publicado em 11 de março de 2015

quarta-feira, 10 de junho de 2015

17. Grito

no rude protesto
cala o manifesto
em vão
num soco oco
pedra, osso, asfalto
avesso abraço
daqueles que falsos
proclamam proteção


Alexandre Fritzen da Rocha
(Nova Petrópolis, 28 de fevereiro de 2015)


 >> Publicado em 4 de março de 2015

terça-feira, 9 de junho de 2015

16. Escrita

a escrita
por vezes
é preguiçosa
parece emperrada
confusa
enferrujada
sem deixar
a palavra verter
respirar

traiçoeira
às vezes caçoa de mim
como por brincadeira
num rompante do nada
faz no papel escorrer
versos em enxurrada
sem deixar
o tempo conter
decifrar

Alexandre Fritzen da Rocha
(Sapucaia do Sul, 9 de fevereiro de 2015)



 >> Publicado em 25 de fevereiro de 2015

domingo, 7 de junho de 2015

15. Se

Se a velhice
roubar-te a beleza
à parte
e com franqueza
ver-te-ei bonita
pois tal como a rosa
que madura
murcha e seca
se num livro envolta
ainda flor permanece
em forma nova
solta
rejuvenesce
tu serás à prova
do furto da pompa
bela em nova aparência
linda a seu modo
imutável na essência


Alexandre Fritzen da Rocha
(Nova Petrópolis, 12 de outubro de 2014)


 >> Publicado em 18 de fevereiro de 2015

domingo, 31 de maio de 2015

14. A penas

Brisa leve
escreve
em tenra mão
papel...

No soluço frouxo
escrito há pouco
um reboliço rouco
dum emaranhado
ou teia
escrita, palavras
a penas...

Alexandre Fritzen da Rocha
(Nova Petrópolis, 2 de fevereiro de 2015)



 >> Publicado em 11 de fevereiro de 2015

sexta-feira, 29 de maio de 2015

13. Soneto desconstruído às pulgas de um rato

Pulgas de ratos
Invadem meu senso
Corro, afoito, denso
Fuga aos fatos

E no meu sonho
Repugnam, adentram
De soslaio entram
No que proponho

Vermes perenes
Às pulgas emito
Gritos, sirenes!

Verso às rugas, fito
Os ratos, genes
De meu medo, rito...

Alexandre Fritzen da Rocha
(São Leopoldo, 2 de dezembro de 2014)



 >> Publicado em 4 de fevereiro de 2015.

terça-feira, 26 de maio de 2015

12. Diversos

Rimo o rito
Grito
Derramo assombro
Espirrando no ombro
A estrofe anterior

Teu poema recolho
Na lápide
Sarjeta
Escombro
E vomito uns versos

Atesto
Meio louco
O sussurro
Soluço
De meu encapsulado
Ritmo vago
Sob o buço

E me debruço
Meio tonto
Ruço
Em teu busto
Para verter em ti
Ramos de versos

Alexandre Fritzen da Rocha
(Nova Petrópolis, 19 de janeiro de 2015)



 >> Publicado em 18 de janeiro de 2015.