terça-feira, 30 de junho de 2015

23. Verso à vida – II

reformula teu grito
tua angústia ouvida
cala, fadiga
na labuta
mendiga
torna tristeza mito
sem vida

teu sorriso recruta
e solta a louca
divinal gargalhada rouca
no gozo da resiliência

conserva teu foco
com astúcia e paciência
teu jogo “in loco”
fugir da demência


Alexandre Fritzen da Rocha
(Porto Alegre, 15 de janeiro de 2015)


 >> Publicado em 15 de abril de 2015

sexta-feira, 26 de junho de 2015

22. Verso à vida – I

à imensidão de tudo
mergulho fundo
na estrofe
manifesto
em sôfregos penhascos
precipícios de vida
ou plácidos planaltos
de uma lembrança
vivida, querida
respiro o momento
o constante intento
de verter
no verso
o pulso
meu alento

Alexandre Fritzen da Rocha
(Porto Alegre, 14 de janeiro de 2015)



 >> Publicado em 8 de abril de 2015

domingo, 21 de junho de 2015

21. Presente

fez-se pronto meu ensaio
meu esboço, poema
perdendo-me em palavras
brandas, emblema
de amada dama
doce, onírica
prendada face
ensolarado presente

Alexandre Fritzen da Rocha
(Porto Alegre, 27 de março de 2015)



 >> Publicado em 1º de abril de 2015.

quarta-feira, 17 de junho de 2015

20. Réquiem de um bugio

Ronca o bugio
O réquiem seu
Clangor fugidio
Funesto faleceu

Sua lamúria
Provém da luxúria
De um humano
Em ato insano

Espalha-se por sua casa
Adentra seu recinto
Demarca com afinco
Com foice e brasa

O primata falece
Quermesse reversa
Perversa mata

Alexandre Fritzen da Rocha
(Nova Petrópolis, 11 de dezembro de 2014)



 >> Publicado em 25 de março de 2015

terça-feira, 16 de junho de 2015

19. Convés

No convés
Me inspiro
No suspiro
Vento convém
Carrega corrente
De versos
Em ondas
Ao revés
Da maré

Alexandre Fritzen da Rocha
(Florianópolis, 21 de fevereiro de 2015)



 >> Publicado em 18 de março de 2015

sábado, 13 de junho de 2015

18. Dos pequenos prazeres

A obviedade não me agrada
não sou adepto
das belezas simples
das coisas fáceis

Imerso nas pluralidades
nas singularidades
dos pequenos gestos
mergulho no apaixonamento
dos micro detalhes

A rotina me espreme
me combale
me geme
e no cerne das diferenças
fico libando
os minúsculos prazeres

Alexandre Fritzen da Rocha
(São Leopoldo, 24 de novembro de 2014)



 >> Publicado em 11 de março de 2015

quarta-feira, 10 de junho de 2015

17. Grito

no rude protesto
cala o manifesto
em vão
num soco oco
pedra, osso, asfalto
avesso abraço
daqueles que falsos
proclamam proteção


Alexandre Fritzen da Rocha
(Nova Petrópolis, 28 de fevereiro de 2015)


 >> Publicado em 4 de março de 2015

terça-feira, 9 de junho de 2015

16. Escrita

a escrita
por vezes
é preguiçosa
parece emperrada
confusa
enferrujada
sem deixar
a palavra verter
respirar

traiçoeira
às vezes caçoa de mim
como por brincadeira
num rompante do nada
faz no papel escorrer
versos em enxurrada
sem deixar
o tempo conter
decifrar

Alexandre Fritzen da Rocha
(Sapucaia do Sul, 9 de fevereiro de 2015)



 >> Publicado em 25 de fevereiro de 2015

domingo, 7 de junho de 2015

15. Se

Se a velhice
roubar-te a beleza
à parte
e com franqueza
ver-te-ei bonita
pois tal como a rosa
que madura
murcha e seca
se num livro envolta
ainda flor permanece
em forma nova
solta
rejuvenesce
tu serás à prova
do furto da pompa
bela em nova aparência
linda a seu modo
imutável na essência


Alexandre Fritzen da Rocha
(Nova Petrópolis, 12 de outubro de 2014)


 >> Publicado em 18 de fevereiro de 2015