quinta-feira, 30 de julho de 2015

36. O falso justiceiro

Avesso à Têmis
o hipócrita social
corrupto, imoral
conservador banal
veste-se de falso justiceiro
alimenta seu fetiche grosseiro
de matar à luz do dia

À revelia
da justiça
da humanidade
da civilidade
sua justificativa:
“justiça com as próprias mãos”
A desculpa para o cumprimento
de sua repulsiva
conduta assassina

Alexandre Fritzen da Rocha
(Porto Alegre, 10 de julho de 2015)



 >> Publicado em 15 de julho de 2015

sábado, 25 de julho de 2015

35. Insights em turbulentos entornos I

Num frouxo filete
de vento, ar
um sonho
ou intento
de ser brisa
aos poucos
e tornar-me liso
solto
avulso do bruto
e rude soco
inconveniente encosto
do portador indecente
de discursos de ódio

Alexandre Fritzen da Rocha
(Porto Alegre, 25 de junho de 2015)



 >> Publicado em 8 de julho de 2015

quarta-feira, 22 de julho de 2015

34. Manifesto ao intolerante

Ampara teu próximo
e cala tua boca
Guarda na tua mente,
inconveniente,
teu desaforo
Engole, empurra, mete
afunda em ti tua intolerância

Te humaniza,
primata fútil,
e enxerga com respeito
isento de ignorância
diverso à tua crença
a inevitável e necessária
diferença

Alexandre Fritzen da Rocha
(Porto Alegre, 25 de junho de 2015)



 >> Publicado em 1º de julho de 2015

sexta-feira, 17 de julho de 2015

33. Estado das coisas

o professor explica
o juiz elucida
o advogado argumenta
o psicólogo orienta
o sociólogo contextualiza
o padre suplica

mas apesar de tudo
num grito surdo
despe-se de razão
e rasga a constituição
o cidadão comum
com espada e escudo
atropela a lei e bom senso
a maioridade penal defende
sem argumento
que aguente
a discussão
dormente
dolente

Alexandre Fritzen da Rocha
(Nova Petrópolis, 12 de junho de 2015)


 >> Publicado em 24 de junho de 2015

quinta-feira, 16 de julho de 2015

32. Beijo

O beijo é prelúdio
Overture, acerto
Estrofe do pulso
Às vésperas do concerto

Ensaio de um conto
Que congela estômago
Alimenta o sopro
Âmago do verso, encontro

No suspiro, sussurro
Murmuro um ramo
Vira pétala a língua
Buquê, exclamo


Alexandre Fritzen da Rocha
(Nova Petrópolis, 12 de junho de 2015)


 >> Publicado em 17 de junho de 2015

terça-feira, 14 de julho de 2015

31. Despertar

sutil sopro
em cuidadoso suspiro
renasce delicada

há pouco afobada
num susto
quase sem pulso
à vida
meio atrevida
brincando de fuga
despedida

todavia, refloriu existência
sua face combalida
não esmaeceu abatida
inspirou em golfada
um longevo ar de vida

Alexandre Fritzen da Rocha
(Porto Alegre, 05 de junho de 2015)



 >> Publicado em 10 de junho de 2015

segunda-feira, 13 de julho de 2015

30. Observação à luminária

vaga luminar fonte
e tonta
sob meu aponte
solta afaga

tão modesta
és pomposa aos insetos
tomam-te como deusa
em culto kamikaze

indiferente aos outros
permanece a direcionar-me
torno-me Samsa
no ato de meu desarme

Alexandre Fritzen da Rocha
(Porto Alegre, 2 de dezembro de 2014)



 >> Publicado em 3 de junho de 2015

sexta-feira, 10 de julho de 2015

29. Luto...

pelos dias que passam
luto
não desabo o fôlego
luto pela educação
trôpego, apenas luto
pelo ensino defunto

também pró-cultura, luto
luto no verso
poiesis de civilidade
e não cesso, não passo
luto
contra o servo cego
servil, assombro
massa de manobra
luto

contra a comunicação mesquinha
tendenciosa, falaciosa
luto
na esperança jamais findada
por dias melhores, por outro assunto

e no atual momento
na inanição da humanidade
a ausência da fraternidade
o presídio da liberdade
funesto, condoído
doloroso
luto

Alexandre Fritzen da Rocha
(Porto Alegre, 21 de maio de 2015)



 >> Publicado em 27 de maio de 2015

quarta-feira, 8 de julho de 2015

28. Poesia em momento de viagem

transito
sufoco o foco
troco
na pluralidade das idas
imerso
em híbrido impulso
ejeto o curso
o rito
pulso
na busca transitória
atitude
dos aromas
em caminho
plural
avulso
cotidiano
inquietude
na estrada
dos dias
em poema asfáltico


Alexandre Fritzen da Rocha
(Canoas, 8 de maio de 2015)


 >> Publicado em 20 de maio de 2015

terça-feira, 7 de julho de 2015

27. Verso à vida – V

germina vida
nasce
broto, ovo, grão
ponto de princípio
cerne
vão

célula, átomo
germe
pão
na origem
fato
nascente
embrião

Alexandre Fritzen da Rocha
(Nova Petrópolis, 19 de janeiro de 2015)



 >> Publicado em 13 de maio de 2015

segunda-feira, 6 de julho de 2015

26. Formação continuada

O mestre combalido
Por rixa
Leva bala
Soco, pedra
Em avessa proteção
Onde polícia ouve Richa
Educa em cassetete
E agride a educação

Alexandre Fritzen da Rocha
(Nova Petrópolis, 14 de fevereiro de 2015)



 >> Publicado em 6 de maio de 2015

quinta-feira, 2 de julho de 2015

25. Verso à vida – IV

o amor faz parte
dos capítulos longos
e momentos mongos
que criam nosso encarte

verso à vida em teste
num soneto desfigurado
vestido doido e remendado
contemporânea veste

dessa vida
de ódio louca
ferida

que grita rouca
partida
tristeza pouca...

Alexandre Fritzen da Rocha
(Nova Petrópolis, 19 de janeiro de 2015)



 >> Publicado em 29 de abril de 2015

quarta-feira, 1 de julho de 2015

24. Verso à vida – III

tua antítese
a morte
é penumbra
assombro
corte

âmago do medo
à tumba
sobre o ombro
mímese

à fuga dela
cruel da foice
protela, esmaece, cancela
dá um coice
na dor do fim

simples muda
desenruga em mim
a certeza, assim
olvidando o receio
o lúgubre recheio
Vida, acuda!


Alexandre Fritzen da Rocha
(Nova Petrópolis, 18 de janeiro de 2015)


 >> Publicado em 22 de abril de 2015